Assistindo a vida morrer

Durante dez meses descobri o que o câncer faz com a vida de alguém. Não existe rotina, mas as surpresas deixam de ser inesperadas porque a incerteza é a única certeza.

Certos dias minha vó acordava disposta, conseguia caminhar e mandar em todo mundo como costumava fazer a vida toda. Um dia me disse que não ia deixar o desânimo tomar conta. Tomava chimarrão e repetia as histórias de parentes que não lembro quem são, falava com minha tia vó no telefone normalmente e assistia novela. As noites nem sempre eram tão tranquilas, ela não reclamava, porém os remédios ajudavam.

Outras manhãs ela demorava para sair da cama. Não sabia que era dia, esquecia onde estava. Era febre. Os delírios tomavam conta e era difícil de conter, passava o dia de pijama e fazia besteiras de criança. Tínhamos que limpar é dar banho. Quando a temperatura regulava o apetite voltava, era hora da sopa.

Ainda íamos ao hospital para consultas. No início ela caminhava normalmente. Depois começou a caminhar muito devagar, percebi que em breve ia precisar de uma cadeira de rodas. Fui encontrar minha mãe e minha vó em uma das consultas, minha vó já estava na cadeira de rodas. Foi um choque.

Inevitavelmente o desânimo tomou conta. O físico cansado tomou conta da sua mente e cada vez menos minha vó comia. Antes devorava a sopa e as sobremesas doces que sempre adorou e que os vizinhos preparavam como agrado. Depois era só o caldo e algumas colheradas dos doces. Em certo momento minha vó só aceitava chá de maçã seca, o mesmo chá que ela fazia de merenda para mim no jardim de infância. Nem bolacha maria ela aguentava mais.

Em um dos seus últimos exames de sangue tivemos a sorte de sermos atendidos por um enfermeiro bem humorado. Ele dizia ser o melhor profissional em achar veias do hospital, mas minha vó estava carne e osso, e após brincar um pouco o rapaz não conseguiu manter o humor. Foi muito difícil tirar sangue dela. O pulso da minha vó média o equivale a três dedos meus de largura. Passei mal e tive que me sentar. No fim o enfermeiro conseguiu encher somente pela metade o tubo de coleta e encerrou, disse ser suficiente.

Uma das febres levou a um delírio extremo e tivemos que carregá-la ao hospital, estávamos com medo de infecções. Fiquei com ela na emergência. Minha vó estava na cadeira de rodas mas às vezes tentava se levantar porque esquecia que não conseguia andar.

No dia que os exames ficaram prontos ela estava melhor, conseguia andar apesar de cansada. Minha mãe achou que ia demorar e deixou o carro lavando. Enquanto esperávamos liberarem carro sugeri irmos numa padaria. Minha vó pediu Coca Cola e salgados, pediu para sentar no sol. Ficou feliz que deu um passeio. Foi o último passeio dela.

Depois não levamos mais ao hospital. Ela ficou em casa e quase todos os dias na cama. Além da dor, da falta de apetite e delírios, tiveram dois episódios de convulsão. A fala estava complicada, ela já não tinha interesse em deixar a TV do quarto ligada mesmo se eu oferecesse, o que ela queria era dormir.

Minha vó ficou muito magra, muito mesmo. A aliança de casamento caiu do seu dedo e tivemos que guardar para não perder. Ela perguntava pra minha mãe quando eu ia voltar da escola, as dores eram tratadas com morfina porém não sempre porque ela tinha reações muito fortes. Minha vó sentia muita sede. Ela também adorava o chá de maçã seca.


Ficava dia sim dia não com minha vó. Levava ela ao banheiro, trocava a bolsa de colostomia, ajudava ela a se vestir e a fazer tudo que precisava no banheiro. Ela morria de vergonha, mas eu dizia que ela fez o mesmo comigo quando eu era bebê então não tinha porque sentir vergonha. Às vezes ela demorava para fazer xixi e achava que tava incomodando, então eu começava a falar um monte de besteira até ela relaxar. A cabeça dela não funcionava bem então eram momentos complicados, tinha que ser firme. "Calma vó, segura tua blusa, não mexe em mais nada tá?" aí ela esquecia e logo mexia onde não devia. Mas tudo bem, nessa horas a gente sempre acha paciência. Quando eu botava minha vó pra dormir era muito tranquilo. Tirava seus óculos, dava remédios e água, empacotava ela de cobertas e fazia carinho.

No o dia do aniversário de 79 anos dela muita gente apareceu. Ela não conseguiu sair do quarto. Vesti ela com uma roupa bonita, minha vó era muito vaidosa, e ela disse que as pessoas podiam ir ao quarto cumprimentá-la. Nunca na vida ela deixaria essa situação acontecer, sabe? Ela era uma mulher orgulhosa que gostava de recepcionar as pessoas e jamais ia gostar de ser vista na cama.

A Ruth, melhor amiga, levou o bolo e junto com outras amigas do bairro conversaram trivialidades. Minha vó não conseguia acompanhar, só ouvia e eu segurei a mão dela o tempo inteiro. A Ruth perguntou se ela queria um pedaço do bolo e ela disse que depois, mas na verdade só estava sendo gentil.

Outras pessoas foram fazendo rodízio e para conversar com a minha vó. Continuei ao lado dela, sem deixar de segurar a sua mão. Certo momento notei que estava no limite e pedi para deixarem ela descansar e apaguei as luzes. A irmã da minha vó então veio e tentou conversar, mas logo percebeu que ela realmente precisava de um tempo.

Poucas horas depois levaram chá para vó e ela já estava mais revigorada, mas já começaram a ir embora e se despedir. Ela deu tchau para todos. Comentou comigo e com minhas primas que foi um dia bom. Foi um dia bom sim.

Dois dias depois ela faleceu. Não foi pacífico. Ela pedia ajuda, se sentia dor, muita dor, até que foi embora.

Minha mãe e minha prima Shaiane ajudaram tanto quanto. Não sou santa. Não sou maravilhosa. Só cuidei de alguém que precisava de amor em um momento muito difícil e sofri muito vendo uma vida indo embora a cada dia numa velocidade assustadora. Câncer mata aos poucos, vai roubando a vida. É doloroso, é cruel. Não tem muito o que fazer além de dar conforto e o melhor de si.

Por isso parei de escrever aqui. Tudo perdeu o sentido. Tudo não, mas as pautas que eu falava no blog não estão mais na minha cabeça. Não me interessam no momento. Ainda. Aí digeri o que aconteceu, não sei o que mudou em mim. Não sei se vou voltar. Não sei se consigo voltar ao blog.

Não que eu precise dar uma satisfação,  mas quem visitava o blog deve ter dúvidas do que aconteceu né? Bom. Está aí a explicação resumida. Não da pra por em palavras exatamente.

Pensei em deixar os comentários desabilitados, mas caso alguém queira compartilhar algo fique a vontade.

Obrigata por lerem esse desabafo.
Perdoem erros de português ou typos, escrevi no iPad.
Fiquem bem!

Batom Panvel Urban Matte Cinza (+ esmalte!)

Batom Panvel Urban Matte Cinza (+ esmalte!)

Um dos meus desejos para esse ano era maneirar na aquisição de batons, mas como vocês podem notar as coisas desandaram. Minha última compra foi a novidade da Panvel da coleção Urban, a cor se chama Cinza, mas não é bem um cinza literalmente, mesmo assim não deixa de ser um batom maravilhoso. Todas as cores da linha Urban possuem esmaltes da mesma tonalidade e acabei trazendo o par para casa.

Batom Panvel Urban Matte Cinza (+ esmalte!)

A primeira camada do esmalte Panvel Urban Cinza é rala, na segunda a cor aparece, mas precisa da terceira para finalizar a esmaltação. Gosto bastante da textura, qualidade e duração dos esmaltes da Panvel. Pelo preço o custo benefício é um dos melhores do mercado.

Mas o item que eu apaixonei mesmo foi o batom! Batom Panvel Urban Matte Cinza tem cobertura fosca e a textura me lembrou os esmaltes da Tracta, foi o batom matte da Panvel mais seco que já experimentei. Como minha boca é tipo ameixa seca, antes de usar batons com essa textura sempre aplico lip balm se não a bala não desliza muito bem.

A cor é bem pigmentada e quanto mais camadas você aplica, mais escura fica. Apesar do nome do batom ser Cinza a cor não é literalmente um cinza, é um nude com fundo neutro e vai depender bastante do seu fundo de pele, apesar do pigmento acinzentado estar evidente. Em mim também dependendo da luz parece mais escuro e na luz natural fica nem as fotos. Em luz artificial fica mais fechado.

Batom Panvel Urban Matte Cinza (+ esmalte!)Batom Panvel Urban Matte Cinza (+ esmalte!)
A duração é mediana, a cor vai perdendo a intensidade sem comer mesmo sem comer, porém dura umas 4 a 5 horas tranquilamente. Após isso é bom checar se precisa de um retoque. O batom custou R$12,90 e o esmalte R$2,99! A Panvel vende on-line para todo Brasil.

Outono, automne, autumn, autunno

O tema de maio do projeto fotográfico é outono! Apesar de recém ter feito uma viagem maravilhosa e dessa ser minha estação favorita, esse ano as coisas não andam muito bem então as fotos desse mês ficaram bem melancólicas.


A razão da melancolia é que este pode ser o último outono da minha vó. Nem queria expor isso aqui no blog, mas as últimas semanas estão sendo bem difíceis e quando pensei em fotografar não consegui pensar em nada alegre.

Para ser bem sincera com vocês, nunca tivemos uma relação maravilhosa, porém agora nesse momento de dificuldade não fez sentido nenhum deixar as bobeiras que nos faziam brigar no passado interferirem. Estou fazendo o possível para ajudar sempre. Não pela minha consciência, mas por ela. Imagino que chegar num ponto da vida e perceber que está chegando sua hora não deve ser fácil, por isso sentir apoio deve ser bom e necessário.

No meio de tanta correria o pátio da casa que antes era bem cuidado nesse outono está bem abandonado, não tem ninguém com tempo para colher as bergamotas, poucas flores sobrevivem ao frio e os mini tomates não resistem.

Mas depois do frio vem a primavera, né? As coisas passam, melhoram. E quem sabe ela ainda esteja por aqui e consiga ver o pátio florido de novo.
Para quem chegou agora e não tá entendendo: mensalmente todo dia 6 eu e mais cinco meninas postamos seis fotos sobre um terminado assunto para desafiar nossa criatividade e dividir momentos, curiosidades e lembranças com vocês. Para visitar os outros blogs é só clicar nas fotos abaixo.

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